É possível passar em um concurso estudando por apostilas?

14/09/2017 - 08h00

As apostilas são materiais montados por editoras ou cursinhos que se destinam, geralmente, a um concurso específico, abordando todos (ou parte) os pontos do edital do concurso.

Na área do Direito, há muita gente que não vê esses materiais como boas fontes de preparação, provavelmente porque há inúmeros doutrinadores excelentes que abordam em livros os temas do edital com muito mais profundidade.

Fica então a pergunta: é possível passar em um concurso estudando por apostilas?

Pela minha experiência pessoal, sim. Já falei em outra oportunidade que, quando me preparei para o concurso de Técnico do Tesouro Nacional (hoje Analista-Tributário da Receita Federal), eu estudei basicamente por duas apostilas diferentes que traziam o conteúdo do edital do concurso e várias questões sobre cada um dos temas tratados.

A pesquisa que fiz para o livro "Técnico e Analista da Justiça Federal: Guia para se preparar para o concurso do TRF da 1ª Região" (clique aqui para acessar a página do livro), com 699 entrevistados, mostrou que a maior parte dos aprovados estudou por apostilas (67% dos analistas e 80% dos técnicos).

Porém, vejo que, atualmente, as apostilas não podem ser tidas como a única fonte de preparação para um concurso, como eu fiz ao estudar para a Receita Federal, especialmente quando há disciplinas jurídicas envolvidas.

No caso dos concursos de nível médio, uma apostila tem boa chance de cobrir quase tudo das matérias jurídicas. Já nos certames de nível superior, dificilmente isso acontecerá. Tanto é que os aprovados para o cargo de analista utilizaram menos esse recurso do que os técnicos. Aliás, na pesquisa que fiz com juízes federais, estaduais e trabalhistas, esse número caiu para 31% apenas.

Enfim, mas quais são então as minhas recomendações sobre apostilas?

Vamos lá:


a) Apostilas representam uma boa fonte de estudos:

a.1) quando há pouquíssimo tempo até a prova;

a.2) em concursos de nível médio;

a.3) como forma de preparação para provas de 1ª fase, em concursos que não exijam conhecimento jurídico profundo, como é o caso da magistratura e do MP.

b) Mesmo em concursos de nível médio, complemente seu estudo com outros recursos. Exemplo: jurisprudência e questões de provas anteriores.

c) Em concursos de nível superior, as apostilas podem ser um recurso importante para revisar o conteúdo do edital, já que costumam ser um grande resumo do conteúdo. Mas, não faça delas a única fonte de preparação.

d) Apostilas podem ajudar na preparação para provas discursivas, mas não são, definitivamente, a melhor fonte de estudo para elas.

e) Se você decidir estudar por apostilas, tente fazer como eu fiz para a prova da Receita Federal, esgotando o conteúdo de ao menos duas apostilas de editoras diferentes.

f) Sempre resolva muitas questões, mas muitas mesmo, independentemente de estudar por apostilas ou não.


Enfim, é isso. Deixemos de lado o preconceito em relação às apostilas, ao mesmo tempo em que tenhamos consciência de que o nível de dificuldade e de concorrência dos concursos atuais não mais permite que elas sejam a única fonte de estudos.


Alexandre Henry

Professor e Juiz Federal


P.S.: confira o guia que fizemos para o curso de técnico e analista da Justiça Federal. Ele traz uma pesquisa completa com 699 aprovados. Clique aqui para acessar.

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